Aline Barros: “Ressuscita-me” é alvo de análise de pastor

A cantora gospel Aline Barros está em um bom momento de sua vida: após o nascimento de sua filha Maria Catherine e lançamento de seu novo CD infantil “Aline Barros & Cia. 3″, a cantora recebeu o disco de diamante pelo seu último CD chamado “Estraordinário Amor de Deus”. Um dos carros-chefe do álbum é a música “Ressuscita-me”, que tem feito muito sucesso nas igrejas.

"O pastor Ciro Sanches Zibordi, contudo, resolveu fazer uma minuciosa análise da letra da música. Confira abaixo a análise, retirada do
blog pessoal do pastor Zibordi"
A canção “Ressuscita-me” tem sido bastante entoada pelos evangélicos. Sua melodia é bonita e envolvente — admito —, mas a sua letra está de acordo com as Escrituras? Tenho recebido vários pedidos por e-mail para analisá-la. E resolvi atender a essas solicitações.
 
Adianto que esta abordagem respeita a licença poética, mas prioriza a Palavra de Deus (1 Co 4.6; At 17.10,11; Gl 1.6-8). Afinal, como crentes espirituais, devemos discernir bem tudo (canções, pregações, profecias, milagres, manifestações, etc.), a fim de retermos somente o que é bom (1 Co 2.15; 1 Ts 5.21).
 
“Mestre, eu preciso de um milagre. Transforma minha vida, meu estado. Faz tempo que eu não vejo a luz do dia. Estão tentando sepultar minha alegria, tentando ver meus sonhos cancelados”. Não vejo problemas no início da composição em análise, visto que todos nós, mesmo salvos, passamos por momentos difíceis em que nos sentimos perseguidos, isolados, como que presos em um lugar escuro, sufocante, “no vale da sombra da morte” (Sl 23.4). Nessas circunstâncias, é evidente que ansiamos por um grande milagre.
 
Lázaro ouviu a sua voz, quando aquela pedra removeu. Depois de quatro dias ele reviveu”. Aqui, como se vê, a construção frasal não ficou boa. Quem removeu a pedra? Com base na licença poética, prefiro acreditar que o compositor referiu-se aos homens que removeram a pedra, naquela ocasião (Jo 11.39-41), haja vista Lázaro, morto e amarrado, não ter a mínima condição de fazer isso — segundo os historiadores, aquela pedra pesava cerca de quatro toneladas.
 
A oração cantada prossegue: “Mestre, não há outro que possa fazer aquilo que só o teu nome tem todo poder. Eu preciso tanto de um milagre”. Algum problema, aqui? Não.
 
“Remove a minha pedra, me chama pelo nome”. Os problemas começam aqui. Se o compositor tomou a ressurreição de Lázaro como exemplo, deveria ter sido fiel à narrativa bíblica. É claro que Deus remove pedras grandes, como ocorreu na ressurreição do Senhor Jesus (Mc 16.1-4). Mas, no caso de Lázaro, quem tirou a pedra foram os homens, e não Deus (Jo 11.41)!
 
Aprendemos lições diferentes com as circunstâncias que envolveram as aludidas ressurreições. Fazendo uma aplicação espiritual, há algumas pedras que Deus remove (como na ressurreição de Jesus), mas há outras que o ser humano deve revolver (como na ressurreição de Lázaro). Em outras palavras, Deus faz a parte dEle, e nós devemos fazer a nossa (Tg 4.8; 2 Cr 7.13,14).
 
“Muda a minha história. Ressuscita os meus sonhos. Transforma a minha vida, me faz um milagre, me toca nessa hora, me chama para fora”. Clichês comerciais e antropocêntricos não podem faltar em gospel hits: “muda a minha história”, “sonhos”, etc. Como já falei muito sobre esse desvio em meu livro Erros que os Adoradores Devem Evitar, evitarei ser ainda mais “antipático”. Mas é importante que os compositores cristãos aprendam que os hinos devem ser prioritariamente cristocêntricos.
 
“Ressuscita-me”. Aqui vejo a principal incongruência do cântico, a qual não pode ser creditada à licença poética. Pedir a Deus: “ressuscita os meus sonhos”, no sentido de que eu me lembre das suas promessas e volte a “sonhar”, a ter esperança, a aspirar por dias melhores, etc. — a despeito do que afirmei sobre o antropocentrismo —, até que é aceitável. Mas não posso concordar com a súplica: “Ressuscita-me”. Por quê? Porque o salvo em Cristo já ressuscitou, espiritualmente, e não precisa ressuscitar de novo!
 
Quer dizer, então, que a aplicação feita pelo compositor é contraditória? Sim, pois, em Colossenses 3.1, está escrito: “se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus”. O que é o novo nascimento? Implica morte para o pecado (Cl 3.3) e ressurreição para uma nova vida (Rm 6.4). Essa analogia da nossa preciosa salvação — pela qual temos a certeza de que estamos mortos para o pecado e já ressuscitamos para o nosso Deus — não pode ser posta em dúvida para atender a anseios antropocêntricos. Por isso, a oração “Ressuscita-me” se torna, no mínimo, despropositada.
 
Alguém poderá argumentar: “Ora, a Bíblia não diz, em 1 Coríntios 15, que vamos ressuscitar? Por que seria errado pedir isso para Deus?” Bem, o sentido da ressurreição, no aludido texto paulino, é completamente diferente do mencionado na composição em apreço. Paulo referiu-se à ressurreição literal daqueles que morrerem salvos, em Cristo (vv.51-55; 1 Ts 4.16,17). Hoje, em vida, não esperamos ser ressuscitados, pois já nos consideramos “como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 6.11).
 
Amém?
Ciro Sanches Zibordi

12 comentários:

  1. Eu teno um livro maravilhoso do Ciro. Não poderia ter lido melhor frase: 'Clichês comerciais e antropocêntricos não podem faltar em gospel hits'. Tenho nojo desse monte de música que se cantam nas igrejas, são em sua grade maioria egoístas e narcísicas.As músicas devem exaltar o nome do senhor, e não funcionar como SAC. Tenho muito receio de cantar tais canções.Parabéns, Ciro.

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    1. Pura inveja da irmã.
      Acho que os irmãos deveriam preocupar-se em apregoar a palavra e ganhar almas para Cristo.

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  2. Olá Williane Graça e Paz.

    Apesar de amar esta música "Ressuscita-me"
    não tinha percebido tal contradições teológica em sua composição. Tenho que concordar com vc no sentido destas novas "modas" chamada de gospel tem muito barulho e pouca edificação.
    O Apóstolo Paulo nos recomenta a guardar o que edifica e repelir o que não edifica.
    Deus te abençoe ricamente

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  3. Respeito a opinião do pastor acima, mas não concordo com a conclusão. É claro que sabemos que existem "modas", mas com relação a esta música é só questão de parar e analisar mesmo. A parte "Ressuscita-me" não entendo como ressuscitar propriamente dito, mas sim no sentido de reviver a paz, sair do sofrimento de um problema.
    Bem, é assim mesmo, uns concordam, outros não. É claro que devemos ser criteriosos, mas até nisso devemos ter cuidado. Cuidado para não pecar com nossas opiniões.
    Enfim, essa música me edifica e, pelo que percebo, edifica nossa igreja. Na última vez que cantou a mesma na Igreja foi "o céu na terra"... lindo... maravilhoso... edificante mesmo.
    Não vou repelir esta música do meu repertório.

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  4. Queila, Graça e Paz.
    Obrigado por seu comentário.
    Tenho que admitir que amo esta música e também sou edificado, só que não podemos fechar os olhos para a concordância usada pelo autor da letra. Se o autor se refere a Lázaro, infelizmente discordo no sentido que o Lázaro removel a pedra. Discordo quando o autor da música diz no refrão: Remove a minha pedra e me chama pelo nome. Tenho certeza que Deus tem poder para retirar qualquer pedra mas no caso de Lázaro quem retirou a pedra após a frase de Jesus: Tirem a pedra!

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  5. Bom, o que me irrita é o fato de as pessoas cantarem essa musica na igreja e acreditarem que Deus esta sendo adorado através dela. Prefiro buscar o Reino de Deus e deixar o resto com ele, com certeza Deus sabe o que faz.

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  6. NÃO HÁ CONTRADIÇÃO NEHUMA NA PEDRA.
    Se analisarmos a biblia, em Lucas 5, Jesus ordena lançar a rede ao mar, e Pedro responde: "Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas sobre a TUA PALAVRA, lançarei a rede. E, fazendo assim, colheram uma grande quantidade de peixes, e rompiam-se-lhes a rede".
    Aqui, fica claro que o homem não faz NADA se não for debaixo da palvra de Cristo, e na passagem de Lázaro, está "Disse Jesus: Tirai a padra". Então amados, SIM, foi Jesus - com sua palavra - que removeu a padra! Não estamos falando de mãos, estamos falando da PALAVRA dEle que faz TUDO que vemos e não vemos!
    Joel Junior - Osasco/SP

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  7. Caro Josiel,

    Coloca nosso link http://www.oassembleiano.com estamos com o seu em nosso blog.

    Grato!

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  8. Queria que analisassem a musica Sonhos Não tem fim de eyshila.apesar da musica falar de sonhos.eyshila canta: " o sangue derramado por mim" não se sabe se faz referencia ao SENHOR DEUS ou a ela mesma.gosto muitpo das cançoes dela: por falarem do ESPIRITO e de sermos adoradores.mas essa frase ta me desconfiando

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  9. Francamente...
    É lamentávelsaber que os que se achem ou se julguem mais espirtuais,são exatamente esses que são os auto-críticos.
    Ninguém diz que Jesus é O Senhor se não for Pelo Espírito Santo(1Cor 12, 3) e ninguém consegue levar almas a Jesus sem O Esp. Santo,esse louvor faz isso acontecer.
    Tem gente que fica tão LETRADA que não consegue mais discirnir o que é espiritual.

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  10. Tenho apenas uma pequena observação a fazer:
    " Fiz-me como Judeu para ganhar os Judeus, fiz-me como fraco para ganhar os fracos"
    (1CO 9.20e22)
    "[...] Levantai os vossos olhos, e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa"
    (JO 4-35)
    "Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido"(1CO 2-15)
    Não entendeu ainda?
    "[...] Mas que importa? Contando que CRISTO seja ANUNCIADO de TODA maneira ou com fingimento ou em verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ainda"
    (FP 1-18)

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  11. eu concordo com grande parte do que eu li acima, porém eu sei que é através de um cântico ou uma musica louvor que seja que muitos corações são quebrantados... Portanto o trecho abaixo não me convenceu....

    “Ressuscita-me”. Aqui vejo a principal incongruência do cântico, a qual não pode ser creditada à licença poética. Pedir a Deus: “ressuscita os meus sonhos”, no sentido de que eu me lembre das suas promessas e volte a “sonhar”, a ter esperança, a aspirar por dias melhores, etc. — a despeito do que afirmei sobre o antropocentrismo —, até que é aceitável. Mas não posso concordar com a súplica: “Ressuscita-me”. Por quê? Porque o salvo em Cristo já ressuscitou, espiritualmente, e não precisa ressuscitar de novo! ( obs.: NEM TODAS AS PESSOAS QUE CANTAM OU OUVEM UM LOUVOR ACEITARAM A JESUS VERDADEIRAMENTE COMO SENHOR E SALVADOR, ENTAO NÃO CONCORDO MUITO COM A CITAÇÃO FEITA PELO REVERENDO NESTE PONTO.)


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